A Dor Não é a Última Palavra
O livro de Lamentações nasce do cenário mais sombrio da história de Judá: a destruição de Jerusalém em 586 a.C., o templo queimado, o povo exilado e a sensação coletiva de abandono. Jeremias, conhecido como o profeta chorão, escreve a partir do sofrimento real, sem romantizá-lo. No capítulo 3, porém, ocorre uma virada teológica significativa. Após descrever a aflição, o profeta afirma que o Senhor “não rejeitará para sempre” e que, mesmo trazendo tristeza, o faz “segundo a grandeza da sua misericórdia” (Lm 3.31–32). O texto deixa claro que o sofrimento não é fruto de um prazer divino em afligir, pois Deus “não aflige nem entristece de bom grado os filhos dos homens” (v.33). A disciplina é real, mas nunca dissociada do caráter misericordioso de Deus.
Para a vida cristã, esse texto nos ensina que a dor, embora intensa, não define o fim da história daqueles que pertencem ao Senhor. Há momentos em que Deus permite a aflição como instrumento de correção, amadurecimento e retorno, mas sua misericórdia continua operando mesmo no vale. O cristão aprende que fé não é negar o sofrimento, mas interpretar a dor à luz do caráter de Deus. Em tempos de crise, Lamentações 3 nos convida a descansar na certeza de que o amor do Senhor não falha, que sua disciplina não é destrutiva e que sua graça sempre aponta para a restauração. A esperança nasce quando entendemos que, em Deus, a dor é passageira, mas a misericórdia é permanente.
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